A Bantotal, provedora de serviços bancários sediada no Uruguai e que atende mais de 60 instituições financeiras diferentes em 14 países e possui cerca de 20 milhões de usuários dos serviços de gerenciamento de dinheiro, se tornou parceiro da exchange de criptomoedas Bitex, para facilitar pagamentos transnacionais pela Blockchain de Bitcoin, informou o Coindesk nesta terça-feira (13).

A integração do Bitex no programa Bantotal representa um passo importante no avanço da tecnologia blockchain no setor bancário”, disse o Diretor de Marketing da Bitex, Manuel Beaudroit, que também acredita que a parceria possa contribuir para aumentar o PIB nacional dos países latino-americanos, permitindo que mais comércio flua “de maneira semelhante.”



O acordo significa que os clientes da Bantotal poderão acessar os serviços da Bitex em um mercado de outros serviços financeiros tradicionais que a Bantotal oferece por meio de seu programa BDevelopers .

Com essa tecnologia, os bancos podem ter acesso a uma API e ter controle de todo o processo de pagamento [transfronteiriço] com visibilidade e confiabilidade na blockchain de Bitcoin”, completou Beaudroit, que chamou a parceria de um “salto quântico” para os bancos locais na América Latina, e explicou que as taxas médias associadas aos pagamentos internacionais são até cinco vezes mais baratas usando Bitex do que as transferências eletrônicas internacionais, além de serem significativamente mais rápidas. Segundo ele, os prazos de pagamento para exportadores entre Argentina e Paraguai em uma instância em fevereiro caíram de um mês para uma hora, após a mudança para os serviços de pagamento transfronteiriço da Bitex.



A parceria, aos olhos de concorrentes como a Stellar, que também é especializada em pagamentos internacionais, alavancando sua própria rede blockchain, é vista como um sinal positivo, conforme comentou a diretora de parcerias da Stellar Development Foundation, Lisa Nestor:

Acreditamos que este anúncio valida ainda mais o valor que as instituições financeiras estão reconhecendo em ativos digitais e tecnologia de contabilidade distribuída para a execução de atividades bancárias básicas, como pagamentos internacionais. Também não é coincidência que essas parcerias de produtos estejam sendo lançadas no mercado [latino-americano], onde pagamentos transnacionais, mesmo em países vizinhos, podem ser lentos e caros”.

Dando os primeiros passos

 

Bitnex atua essencialmente como intermediário para que os bancos nacionais e regionais convertam os pagamentos fiduciários em Bitcoins e depois voltem a ser fiduciários, em vez de concluírem várias conversões “fiat-to-fiat”.

Se eu quiser fazer um pagamento da Argentina para o Chile, não preciso comprar dólares com os pesos argentinos, depois transferir os dólares para os EUA, depois transferir os dólares para o Chile e trocá-los por pesos chilenos. Eu posso apenas enviar um pagamento da Argentina para o Chile diretamente [usando Bitcoin]“, disse Beaudroit.



Normalmente, esse processo de transferência de dinheiro através das fronteiras com os bancos locais na América Latina pode levar de 48 a 96 horas, dependendo da agência bancária específica e intermediários financeiros utilizados, de acordo com Leo Elduayen, vice-presidente da Bitcoin Argentina e fundador da startup de blockchain Koibanx.

Com a parceria Bantotal, Elduayen suspeita que a acessibilidade aos serviços da Bitex para os consumidores na América Latina aumentará drasticamente, embora haja uma série de obstáculos ainda “deixados para os bancos a bordo“.

 

Apesar da novidade, fatores como regulamentações, lavagem de dinheiro, entre outros, tornam ainda muito cedo dizer se mais bancos vão optar por este tipo de solução, mas é um bom começo, avaliam especialistas.



Historicamente, a América Latina tem sistemas financeiros fracos. Há uma história de corridas bancárias com alguns tristes destaques do confisco da poupança das pessoas (por exemplo, a Argentina em 2001 e mesmo o Brasil no governo Collor, no início dos anos 90). (…) Este acordo levará a custos mais baixos para os consumidores e maior inclusão financeira”,  avalia Federico Ast, CEO da Kleros, empresa iniciante de arbitragem com sede em Buenos Aires.

Santiago Siri, fundador da startup de governança digital Democracy Earth e assessor da Bitex, disse que o trabalho da Bitex foi muito além de ser simplesmente uma plataforma de troca de criptografia: “É um parceiro ideal para os bancos usarem o Bitcoin (…) como forma de conectar bancos de uma forma que não é muito comum no setor, mas é fundamental para mercados como a América Latina“.