O dólar americano pode perder seu status de moeda dominante no mundo“, afirma em um artigo Craig Coen, estrategista em FX, Commodities e taxas do banco privado JPMorgan, do JPMorgan Chase & Co., instituição líder mundial em serviços financeiros e a terceira maior empresa do mundo. 

Acreditamos que o dólar poderia perder seu status de moeda dominante do mundo (o que poderia levá-lo a depreciar no médio prazo)“, disse ele ao recomendar aos investidores que reduzam seus estoques de dólares e apontar que moedas de reserva global não duram para sempre.

Não há nada que sugira que o domínio do dólar deva permanecer perpétuo. De fato, a moeda internacional dominante mudou muitas vezes ao longo da história, que remonta a milhares de anos, à medida que o centro econômico do mundo mudou” – Antes do dólar, a moeda dominante do mundo era a libra britânica. Antes disso, o franco francês e o florim holandês – moedas que não existem mais.

O estrategista aponta que “Nas próximas décadas, acreditamos que a economia mundial passará do domínio dos EUA e do USD para um sistema em que a Ásia detém maior poder“. À medida que a dominância econômica se desloca para leste, há menos incentivo para negociar em dólar e a posição agressiva de Trump sobre o comércio está acelerando esse processo.

Ainda de acordo com a análise, o declínio da dominância da moeda americana já iniciou, com os EUA já tendo abandonado a política de “dólar forte” e entrando numa guerra cambial, na qual se junta à China e à zona do euro tendo suas moedas desvalorizando em uma tentativa de dominação.

Por consequência, os bancos centrais estão descarregando dólares de suas reservas em ritmo recorde.

Mas e o Bitcoin?

Embora o texto não o mencione diretamente, conforme aponta o CCN, o Bitcoin é uma proteção óbvia para muitos dos problemas citados pelo JP Morgan.

No artigo, o banco recomenda aos investidores que reduzam seus estoques de dólares pela metade e invistam em ativos de “armazenamento de valor” como o ouro. O Bitcoin, no entanto, cumpre uma função semelhante de armazenamento de valor, mas com mais utilidade no mundo digital.

Além disso, o BTC é uma proteção contra a natureza inflacionária do dólar e seu declínio a longo prazo. Ao contrário do dinheiro americano, que tem oferta aumentada à vontade, a criptomoeda tem um suprimento previsível e fixo.

Por fim, em um cenário extremo, o Bitcoin poderia preencher o vácuo como moeda de reserva. Embora seja improvável que os governos o adotem oficialmente, empresas e indivíduos podem optar por realizar transações usando a criptomoeda para encaminhar uma possível guerra cambial.